Minha viagem pelo tempo

Foi num lampejo de inconsciência que vi tudo aquilo que supus ser o futuro. Um futuro branco, saudoso, vazio, cujos contornos se delineavam lentamente, preenchendo-se de eventos que seriam determinados pelas escolhas de pessoas como eu ou você.

Vi pessoas as quais tinha certeza que jamais veria novamente. E ficou claro em mim o quão estranho é ver gente que  se ama transformar-se em perfumes, toques ou suspiros.

Às vezes é comum lembrarmos apenas “daquele sorriso”. Daquela palavra mal dita. Daquele desgosto que sentimos. Mas  se a pessoa é velha, registramos a juventude. É assim que a memória funciona. E considero a natureza do tempo sábia, sobremodo porque, com o passar dos anos, as coisas vão se dissipando,  se transformando nesta profusão de sensações saudosistas.

O futuro é branco. Não pela candura do estado de novidade, mas porque nele habita apenas a incerteza de dias melhores. É assim. E tem de ser assim, porque ainda não existe o que a nossa vã mortalidade seja capaz de ver. Pelo menos para as pessoas que vivem nesta dimensão caótica regida pela fulgaz noção de horas, minutos e segundos.

Outros (que não somos nós), conhecem o futuro, sabem dele. Porque consideram a simultaneidade dos fenômenos, como esferas que se propagam… Sabem que o tempo não é linear tal e qual o conhecemos.

E foi assim.

Vi tudo isso.

Mesmo que cálido, e frágil, como o sonho de quem desperta.

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6 pensamentos sobre “Minha viagem pelo tempo

  1. Renato!

    Puxa, foi uma “viagem”, né?

    Hoje, enquanto despertava, tentei registrar detalhes daquilo que acreditei ser uma “viagem no tempo”, mas foi tudo em vão. Ficou só esta impressão “branca” de pessoas que certamente vou sentir falta quando esta suposta realidade chegar.

    • Eu acho imensamente fascinante lidar com a idéia de tempo. Lembrar do passado, imaginar o futuro com base no presente.
      Também acho muito bacana “tentar” imaginar outras formas de se ver o tempo. A coisa do tempo como algo linear… perguntas como “pq lembramos do passado e não do futuro?” e “qual a relação tempo x memória?” sempre me atormentam.

      Nessa história que escrevo há uns bons anos, lido com uma teoria temporal que criei misturando algumas idéias minhas com muita coisa já vista por aí. Cedo ou tarde hei de esbarrar em contradições, hehehe.

      Mas por lidar com o assunto é que gostei do seu texto. Ele não se encaixa em nada do que criei, mas é uma visão muito interessante. Deve ter sido uma viagem bem legal a sua! hahaha Quem sabe a viagem não fui que nem a da Eleanor Arroway (Jodie Foster em O Contato)… mas cujas lembraças só viram com o tempo?

      🙂

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