O furacão Lobato

lobato_by_nanukaFalar de Monteiro Lobato, e não mencionar o Sítio do Pica-Pau Amarelo é o mesmo que falar do Brasil e não dizer nada sobre Pelé. Mas Monteiro Lobato foi mais que um escritor brilhante, foi um furacão que passou pelo Brasil, e provocou um rebuliço na vida das pessoas daquele tempo.

Duvida? Bom, basta saber da maior das suas furacondices: a campanha do petróleo no Brasil. Uma insistência que rendeu cartas nada simpáticas ao então presidente Getúlio Vargas. Aliás, ao se pronunciar publicamente sobre o assunto, Lobato, que ainda não se mostrava familiarizado aos microfones, disse naquilo que chamava de “canudo”, o que bem entendia sobre a existência desta riqueza em nossas terras.  Ninguém lhe deu crédito. E quis a sorte que a descoberta do primeiro poço de petróleo se desse, anos depois de sua morte, numa cidadezinha chamada Lobato no nordeste do Brasil.

Também foi o primeiro a fundar uma editora no país. Enfadado com as histórias que vinham da Europa, e que não tinham nada da nossa identidade, imortalizou criaturas de nosso folclore, e romanceou  a vida sertaneja. Há quem critique o fato do Saci ser de domínio dos Lobato. Assim como há quem não goste que o Jeca Tatu seja exemplo de preguiça e de desleixo, marcas que deixaram a figura do caipira brasileiro à margem do ridículo.

Ainda assim, a genialidade de Lobato é ímpar. E tem de ser tratada conforme o seu tempo. Afinal, falar de Tia Nastácia tal como era feito em seus livros, seria visto como um ultraje, mas não no início do século passado, cuja estrutura social era outra. Bem,  o fato, é que hoje não é muito diferente, embora tenhamos (ainda bem! e mesmo que falhas) leis que nos protejam de preconceito e injúria.

Como vê, voltamos ao trivial.

Ao Sítio.

Um dos livros que mais me fascinou foi “A Chave do Tamanho”, onde a boneca Emília tentava encontrar a “chave” que acabasse com a Guerra. Aconteceu que, sem querer, encontrou a “chave” que diminuía o tamanho da Humanidade.

Genial!

Fosse como fosse, de  uma forma curiosa, a Guerra realmente acabou, e todos foram reduzidos a criaturas indefesas diante de uma natureza aumentada e voraz. Será que isso já não vem acontecendo? Afinal, mesmo com tanto poder e tecnologia, basta que alguém vire a “chave” de uma bomba atômica, ou mesmo a “chave” da destruição do planeta, para que tudo se vire contra a gente, sem sequer termos tempo para um juizo final…

Deduções à parte, a prosa de Lobato era afiada. Cansado dos adultos, como dizia ele, colocava os pensamentos mais ousados na boca de Emília (que era uma torneirinha de asneiras), criando palavras inusitadas, enquanto transformava expressões estrangeiras em verbetes abrasileirados. Veja o caso de “belongues”, o nome dado aos pertences de Emília, que vinha do verbo inglês “to belong” (pertencer).

Como jornalista, escreveu para o Estado De S. Paulo, e ainda hoje é reconhecido pelo talento, que nesta simples postagem não sou capaz de fazer jus à sua completude.

Dia 18 comemora-se o seu nascimento, e é também o Dia Nacional do livro Infantil (por uma razão bem óbvia!)

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3 pensamentos sobre “O furacão Lobato

  1. Nanuka,
    Vou mais um pouquinho… não dá para falar de Monteiro sem mencionar o Sítio, e portanto, evocamos àquele que reinventou as obras de Monteiro na versão do sítio: Tatiana Belinky, a amada bruxinha que considera a Emília maior do que ela! Aliás queria ela ser Emília.

    Gostei muito desse post!
    Adoro Literatura Infantil e Monteiro, onde tudo por aqui começou. Antes as histórias vinham de outros mares…

  2. Que ótima lembrança, Maria!

    Tatiana Belink é fantástica.

    Neste post, quis mostrar um lado que as pessoas pouco conhecem do Lobato. Mas é inevitável que o Sítio fique de fora, né?

  3. Eu sabia que vc não ia deixar de fazer uma postagem para o aniversário de M. Lobato. Sei bem da sua admiração por ele.
    Gostei da interpretação que vc deu pro episódio da “chave”.

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