CHAPLIN

No dia 16, Chaplin completaria 122 anos!  Queria que a sorte  pudesse permitir aos homens de bem alcançar os 200, só para ter este gênio mais um pouco. Como isso não é possível, existem os filmes, as polêmicas, e a saudade de um tempo que não existe mais…

Chaplin foi o primeiro ídolo de minha infância. Sempre tive vontade de ser Chaplin e viver uma realidade em preto e branco. Lia à exaustão artigos, textos ou qualquer outro indício que me transportasse para aquele tempo, cujo mundo se apresentava por pessoas aceleradas como bonecos de corda, e rostos, pálidos de palhaço. Ignorava que tudo isso fosse efeito da rotação dos quadros por segundo, e as expressões, resultado da maquiagem! E foi assim por toda a meninice.

Em 1989, quando comemorou-se seu centenário, dediquei uma matéria inteira no jornal da escola (que era reproduzido por mimiógrafo). Ninguém deu muita importância, mas achei que, como todo fã do vagabundo, deveria fazer as honras ao morto. Aos vinte, numa trupe, interpretei Chaplin (mesmo tendo estes traços orientais, e ninguém se dar conta de ver um ator de arte No em vez de um claw).

Aos trinta, revi os filmes…   O conjunto de imagens, lembranças e sensações, que regiam meus momentos de criança, vieram à tona, como uma revoada de folhas no outono.

Aquela primeira vontade de ganhar o mundo e ser alguém, foi estimulada pela figura do vagabundo e  nunca foi traduzida em palavras. Mas eram bem  interpretadas pelas sensações de menino. Foi como enfunar as velas de um barco, e ganhar velocidade para desbravar um mar revolto.

De repente, voltar ao princípio, ao revisitar aquelas cenas, nunca me pareceu tão necessário. Todos nós temos devaneios de criança, e sempre mantemos apenas os sonhos que são possíveis. Sobremodo, quando são embrulhados dentro de um baú esquecido nas fundações da mente, que precisam de força para lembrarmos que ainda existem.

Seja como for, sempre decidi jamais esquecer a primeira força motriz que conduzia o começo de minha vida. Como também, sempre soube que era a arte quem deveria ser dona de mim. Assim como foi dona de pessoas como Chaplin.

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