Stevenson e Willy Caolho

 

 

Há 160 anos,  no dia 13 de novembro de 1850, nascia um dos escritores mais marcantes da literatura mundial, o  escocês  Robert Louis Stevenson. Seus livros até hoje são sinônimos de piratas e tesouros escondidos. Autor de clássicos como “A Ilha do Tesouro”, “Raptado”, “Aventuras de David Balfour” e o sombrio “O médico e o monstro”, Stevenson elevou a categoria dos romances de aventura, e não imaginou que seria um dos autores mais  lidos por jovens e adolescentes, por gerações e gerações. Harold Bloom, o polêmico crítico literário, costumava dizer que a literatura de Stevenson, demasiadamente detalhista, transcendia às categorias literárias, mas “A Ilha do Tesouro”, narrada inicialmente para entreter um adolescente em dias de chuva, ganhou tamanha proporção que é hoje um dos clássicos da literatura infanto-juvenil.

 

A Disney, nos anos 50, comprou os direitos da obra e adaptou-a para o cinema, numa versão live-action, e também animada, em 2002. Há a possibilidade de vermos “A Ilha do Tesouro” em uma nova adaptação, provavelmente em 2011, na carona da série “Piratas do Caribe”.

 

(Primeira adaptação da Disney, não animada, de 1950)

 

Particularmente, gosto muito das duas adaptações, mas adorei as nuances de personalidade do pirata Long Silver na versão animada.

 

A relação de Jim Hawkins e ele, e a visão paterna estabelecida pelo garoto, ganha outra dimensão nas telas, regida pela balada “I´m still here” cantada pelo Go Go Dolls.


(Versão high-tech da Disney, de 2002)

 

Acredito que sem a contribuição de Stevenson, hoje não teríamos o arquetipo do pirata com sua perna de pau, seu tapa-olho ou seu papagaio sobre o ombro.

Assim foi em “Os Goonies” (filme de 1985, produzido por Steven Spielberg). Havia um pirata chamado Willy Caolho, um bando de moleques atrás de um tesouro perdido, e tudo mais conforme manda o figurino: mapas, armadilhas e enigmas. Quando assisti a este filme no cinema (umas oito vezes em menos de dois meses!), não conhecia Stevenson, e isso aumentou e muito a minha curiosidade por este universo. Acho que uma coisa levou à outra.

 

(Os goonies, de 1985)

 

Em “O médico e o monstro” (ou “O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde”), Stevenson explorou as mazelas humanas e o conflito entre os extremos, o que lhe rendeu prestígio e notoriedade. Confesso que foi um dos livros mais interessantes que li, e que, embora tenha visto a novela explorada exaustivamente no cinema, teatro ou televisão, não deixei de embarcar na trama e me surpreender com o conflito entre estes dois personagens tão distintos entre si.

 

( A transformação, “Great God, can it be”)

 

Assim, como “A Ilha do Tesouro”, “O Médico e o Monstro” ganhou várias adaptações para o cinema, entre filmes que foram fiéis à trama, até versões bem-humoradas como “O Professor Aloprado” de Jerry Lewis e, mais atualmente, de Eddie Murphy.

 

(Adaptação para o teatro, de 2010, com Nando Prado)

 

Os contos de Stevenson são igualmente perturbadores. Foi esta sensação que tive ao ler “O Gênio da Garrafa”, a instigante história de um demônio aprisionado numa garrafa capaz de dar riqueza e felicidade em detrimento de uma vida amarga e repleta de perdas. A maldição só se desfaz quando o portador da garrafa a vende para o comprador seguinte por um valor menor que a adquiriu. Na história, o personagem principal se vê num beco sem saída. É como se comprássemos a garrafa por 1 centavo de nossa moeda local. E, então, o que fazer?

Só lendo para saber.

Por esta e outras, que admiro muito este jovem escritor, que faleceu aos 44 anos e que é hoje uma das referências no cenário literário mundial.

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